Miguel Merino: vinhos da Rioja com autenticidade e qualidade

A Rioja é, possivelmente, a mais tradicional região produtora de vinhos da Espanha. Porém, ela vem mudando nos últimos anos. Se, no passado, grande parte da comercialização de vinhos era concentrada em poucos produtores de grande porte, o que se viu foi a criação e fortalecimento de produtores menores e mais artesanais. O objetivo? Explorar melhor a diversidade de uma região tão ampla e com tantos terroirs distintos.

A Miguel Merino, sediada no vilarejo de Briones, trabalha de acordo com este objetivo. Criada em 1994, explora cerca de 14 hectares de vinhedos (boa parte deles plantados com vinhas velhas) localizados inteiramente em torno deste vilarejo, que fica na Rioja Alta próximo da Rioja Alavesa. Este foco regional, somado aos cuidados nos vinhedos e na adega, é um importante diferencial desta jovem vinícola. Conhecer os vinhos da Rioja passa por conhecer melhor seu terroir.

História

Miguel Merino iniciou sua carreira no mundo do vinho como distribuidor e ganhou projeção como négociant, engarrafando e distribuindo vinhos elaborados por terceiros. Em 1994, porém, decidiu produzir seus próprios vinhos. Inicialmente optou por usar uvas adquiridas junto a quatro viticultores locais, proprietários de diversas parcelas de vinhas. Durante o período entre 2003 e 2010, contou com a colaboração de seu filho, também chamado Miguel Merino.

Miguel Merino Filho

Após trabalhar em outros produtores da região, o jovem Miguel Merino retornou à vinícola familiar em 2017, já como enólogo-chefe. Ampliou seu papel e atualmente é o responsável pela vinícola. O contexto atual, porém, é diferente. A partir de 2001 os Merino adquiriram 8 hectares de vinhedos próprios e diversificaram a linha de vinhos, inicialmente concentrada nos tradicionais Reserva e Gran Reserva. Hoje são oito cuvées diferentes, permitindo explorar o terroir de Briones em profundidade.

Vinhedos e variedades

Hoje são 14 hectares de vinhedos, com cerca de 90% dedicados a variedades tintas, com destaque para a Tempranillo. Mas há também parcelas plantadas com Graciano, Mazuelo e Garnacha, grande parte delas utilizadas na elaboração de monovarietais. Entre as variedades brancas (plantadas inicialmente em 2016), o foco fica na Garnacha Blanca e Viura.

Atualmente, cerca de 50% são cultivados de forma sustentável, sem uso de herbicidas. Os demais 50% passaram, a partir de 2022, a contar com cultivo orgânico, com o objetivo de conversão total para este modo de agricultura em cinco anos. Além disso, a Miguel Merino trabalha com contenção de rendimentos em boa parte dos vinhedos, garantindo uvas de maior de maior concentração e qualidade.

Grande parte dos vinhedos de terceiros conta com alta proporção de videiras antigas, inclusive algumas plantadas ainda no século XIX. A maioria, porém, foi plantada entre as décadas de 1940 e 1960, garantindo videiras com as características necessárias (raízes mais profundas e maior autonomia), um enorme diferencial em uma região que vem sofrendo com o aquecimento global como a Rioja.

Vinificação

Em termos de vinificação, a Miguel Merino adota tanto práticas tradicionais da Rioja (carvalho americano em alguns vinhos) como emprega métodos alternativos (uso de barricas francesas e maiores formatos). Com apenas 14 hectares de vinhedos, procuram vinificar por parcela (foram 35 fermentações diferentes em 2022), garantido maior tipicidade e respeito ao terroir.

No caso dos vinhos tintos, após colheita manual, as uvas são 100% desengaçadas. As fermentações são naturais, ou seja, com uso exclusivo de leveduras indígenas, com macerações leves, sem muita extração. A fermentação maloláctica ocorre em barricas e o uso de sulfitos é limitado, garantindo maior pureza aos vinhos.

Vinhos

Atualmente a vinícola elabora oito cuvées distintas a cada safra. O vinho de entrada e de maior produção (cerca de 16 mil garrafas/ano) é o Viñas Jóvenes. Este corte majoritariamente de Tempranillo é elaborado a partir de videiras próprias provenientes, sobretudo, do vinhedo El Rincón, plantado em 2001. Com 12 meses de permanência em barricas usadas, pode ser considerado o cartão de visitas da Miguel Merino.

A preocupação em mostrar as diferentes expressões do terroir de Briones aparece na linha Reserva, composta por dois vinhos, cada um com produção anual na casa de 8 mil garrafas. O Miguel Merino Reserva é tradicional, elaborado a partir de vinhedos de orientação sul/sudeste e estágio de 24 meses em carvalho americano (50% a 60% barricas novas) e mais três a quatro anos de garrafa. Já o Vitola Reserva é mais leve e vibrante, resultado de vinhedos mais frios (orientação norte/noroeste) e uso de carvalho francês (apenas 25% a 30% de barricas novas).

Além do Miguel Merino Gran Reserva, completam a linha um vinho branco e três tintos elaborados a partir de parcelas específicas. O La Loma é um corte (geralmente 90% Tempranillo e 10% Garnacha) com uvas do vinhedo de mesmo nome. Já o La Insula é um monovarietal de Garnacha, enquanto o La Quinta Cruz utiliza somente Mazuelo na sua composição.

Nome da VinícolaMiguel MerinoEstabelecida1994 Website https://www.miguelmerino.com/ EnólogoManuel Merino UvasTempranillo, Graciano, Mazuelo, Garnacha, Viura Área de Vinhedos14 haSede da VinícolaBriones (Rioja)DenominaçãoRioja PaísEspanhaAgriculturaSustentável/OrgânicaVinificaçãoTradicionalImportador no BrasilTanyno

Fonte: Entrevista com o produtor

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